Gramado Summit 2026: as quatro gerações do app commerce e o dilema do mobile commerce de marca

Entre 06 e 08 de maio, o Gramado Summit 2026 reuniu lideranças de varejo, tech e mídia em torno de uma pergunta que define a próxima década do consumo: o app que o varejista quer é o mesmo app que o consumidor usa? No palco, Guilherme Martins, CEO e Founder da Eitri, conduziu uma leitura estrutural de 17 anos de evolução do app commerce no Brasil — e do dilema que o varejo de marca precisa resolver agora.
Este artigo recupera os principais pontos da apresentação.
O seu app é comparado com o iFood. E está perdendo.
Vamos direto ao ponto: o consumidor brasileiro não compara mais o app da sua loja com o app do concorrente direto. Ele compara com o iFood. Com o Mercado Livre. Com a Shopee. Apps com centenas de engenheiros, ciclos de release semanais e uma experiência que redefiniu o que "app de compra" significa.
O m-commerce no Brasil saiu de menos de 5% das transações em 2013 para cerca de 79% em 2025. O celular é a interface primária de compra para quase 89% da população. O mobile commerce não é mais canal complementar — é o canal.
E a pergunta que todo diretor de e-commerce deveria se fazer é: o meu app está à altura dessa realidade?
O problema não é falta de app. É o tipo de app.
Uma pesquisa conduzida pela Eitri em 2025, analisando mais de 300 aplicativos do varejo brasileiro, revelou um dado preocupante: 54,46% dos apps são considerados ruins. Apenas 29% alcançam a classificação de excelentes.
A nota média nas app stores é 4,86 estrelas — mas esse número engana. Clientes assíduos perdoam problemas de interface. O mid-market, que precisa converter novos usuários, não tem esse luxo.
O que explica essa realidade? A resposta está na arquitetura.
Quatro gerações de app commerce: de onde viemos e para onde vamos
O app commerce brasileiro atravessou quatro gerações tecnológicas em 17 anos. Entender essa evolução é essencial para tomar a decisão certa sobre a solução de mobile commerce da sua marca.
Geração 1 — O App como Projeto (2009–2015)
A era do desenvolvimento sob medida. Varejistas investiam centenas de milhares de reais em apps nativos que levavam meses para ficar prontos — e envelheciam antes de lançar. O resultado era um app bonito no dia 1 que se tornava obsoleto no dia 90. Poucas marcas tinham orçamento ou equipe para manter.
Geração 2 — O App como Produto (2016–2019)
As plataformas SaaS de app commerce resolveram o problema de acesso. Agora qualquer varejista podia ter um app em semanas. Soluções que integram com VTEX, Wake e outras plataformas de e-commerce colocaram milhares de apps no ar.
Mas trouxeram um efeito colateral grave: comoditização. Quando todo mundo usa o mesmo template, o mesmo layout e o mesmo roadmap, nenhuma marca se diferencia. O app deixa de ser identidade e vira commodity. Se tirar o logo, o consumidor não sabe qual app é de qual loja.
E pior: o ritmo de inovação ficou preso ao roadmap da plataforma. Uma mudança simples — trocar uma cor, adicionar uma seção — podia levar 90 dias. Enquanto isso, iFood e Mercado Livre iteravam semanalmente com times 40 vezes maiores.
O app SaaS clonado foi a resposta certa para a época. Mas a época mudou.
Geração 3 — O App como Plataforma (2020–2025)
A terceira geração trouxe a virada: arquiteturas modulares, server-driven UI e componentes componíveis. Em vez de depender de um template fixo, cada marca constrói sua própria identidade digital, seus próprios fluxos e suas próprias funcionalidades.
Na prática, isso significa:
- 11 dias da decisão de uma feature até o consumidor usando — contra cerca de 90 dias em app SaaS clonado
- Controle total sobre UX, identidade e jornada de compra
- Integração nativa com qualquer plataforma de e-commerce (VTEX, Wake, Shopify, e outras)
- Independência do roadmap de terceiros
Pela primeira vez em 17 anos, o app é a marca — não apenas contém a marca.
Geração 4 — O App como Agente (2026 em diante)
A quarta geração não é uma promessa para o final da década. Ela já começou agora — e é onde a equação do app commerce muda de patamar.
A premissa é simples: a web tem um teto. O navegador foi desenhado para um mundo de páginas e formulários, não para experiências contínuas, contextuais e multimodais. Câmera com permissão persistente, voz como interface principal, sensores, biometria, notificações com contexto, presença no bolso do consumidor 24 horas por dia — nada disso é nativo da web. É exatamente nesse teto que a IA agêntica encontra o limite.
No app nativo, esse teto não existe. A IA passa a ter, ao mesmo tempo, contexto (quem é o cliente, onde está, o que comprou, o que abandonou) e capacidade sensorial (ver pela câmera, ouvir, identificar, autenticar). Em vez de responder perguntas, o app começa a antecipar decisões. Em vez de uma vitrine, vira um agente que conhece a casa, o guarda-roupa, o tratamento, o ritmo de consumo de cada cliente. A relação deixa de ser transacional e passa a ser contínua.
E aqui está o ponto que a maior parte do varejo ainda não percebeu: a quarta geração só está acessível para quem chegou de fato na terceira. Colocar IA agêntica em produção exige ciclos curtos, controle total sobre a experiência e liberdade para evoluir o app na velocidade do experimento — exatamente o que a arquitetura modular entrega e o SaaS clonado, por desenho, impede. Quem ainda está preso ao roadmap de uma plataforma fechada vai assistir essa geração acontecer no concorrente.
A G4 não é o próximo investimento. É a consequência natural de ter feito o investimento certo na G3.
SaaS clonado vs. plataforma modular: o dilema real do mobile commerce
Se você está avaliando ou reavaliando a solução de mobile commerce da sua marca, esta é a pergunta central: a arquitetura do seu app permite inovar na velocidade que o mercado exige? O quadro abaixo resume o contraste apresentado no Gramado Summit.
Time-to-feature
- App SaaS clonado: cerca de 90 dias entre decisão e usuário usando.
- App modular (G3/G4): cerca de 11 dias.
Identidade visual
- App SaaS clonado: template compartilhado entre dezenas de marcas.
- App modular: identidade 100% proprietária.
Autonomia de roadmap
- App SaaS clonado: presa ao roadmap do fornecedor.
- App modular: independente, definida pela marca.
Integração com e-commerce
- App SaaS clonado: limitada à plataforma do fornecedor.
- App modular: agnóstica — integra com VTEX, Wake, Shopify e outras.
Capacidade de IA
- App SaaS clonado: restrita ao roadmap SaaS.
- App modular: IA agêntica nativa, com acesso a câmera, voz e sensores.
Diferenciação competitiva
- App SaaS clonado: baixa — todas as marcas se parecem.
- App modular: alta — experiência proprietária e defensável.
A terceira geração não é sobre trocar de fornecedor. É sobre mudar a equação: sair de um modelo onde o app é commodity para um modelo onde o app é vantagem competitiva.
O futuro do app commerce: quem vai chegar primeiro?
O mobile commerce vai continuar crescendo. A IA agêntica vai se tornar padrão. A pergunta não é se — é quando e quem.
Quem está em uma arquitetura modular pode começar a testar IA em produção hoje. Quem está preso em SaaS clonado vai assistir os apps destino — e os concorrentes mais ágeis — abrirem distância.
Por 17 anos, o varejo andou um passo atrás do consumidor. A terceira geração foi a primeira a empatar. A quarta é a primeira que pode acabar à frente — para quem chegar primeiro.
Sobre a apresentação
A palestra "O app que o varejista quer vs. o app que o consumidor usa" foi apresentada por Guilherme Martins, CEO e Founder da Eitri, no Gramado Summit 2026 (06 a 08 de maio · Gramado, RS).
A Eitri é uma plataforma de construção de apps nativos para o varejo de marca. Com arquitetura modular baseada em server-driven UI, integra nativamente com VTEX, Wake, Shopify e outras plataformas de e-commerce, devolvendo ao varejista identidade, velocidade e autonomia sobre a experiência mobile.
A Pesquisa Eitri 2025, com análise de mais de 300 apps do varejo brasileiro, está disponível mediante solicitação.
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